Decoração: sabe a diferença entre Consultoria e Acompanhamento?

Quando iniciei minha profissão, após meu primeiro apartamento, o primeiro espaço comercial que decorei foi uma loja de pinturas especiais. Era minha e aprendi muito ali, pois prestando serviços para o consumidor final e para designers e arquitetos, pude observar as condutas diferenciadas de cada um deles, e observei que a maior parte dos clientes vinha em busca de novidades e eram mais curiosos do que profissionais. Eram estes clientes finais que escolhiam o tipo e a cor a serem adotadas no serviço.


Quando eu chegava ao local, observava que a decoração transparecia o "faça você mesmo", sem aquela diferença que o profissional de verdade dá ao espaço. Antes de começar, o cliente me perguntava: você acha que vai ficar boa a minha escolha? Vai combinar com a decoração? Sempre havia uma insegurança no ar, afinal, aquela não era a especialidade do cliente.


Em geral, quando sentia que a pessoa poderia ouvir algo do tipo "seria melhor esta escolha e não aquela" eu preferia opinar e o cliente acabava aceitando minhas orientações (em 99.9% dos casos em que não houvesse profissional envolvido) . E de tanto ouvir solicitações de o que você acha? Como você faria? Comecei a pensar da forma que almejavam!


Alguns anos depoism nasceu a Consultoria de Decoração, fruto destas experiências, e da necessidade de ficar mais próxima dos meus filhos.



Vamos às diferenças básicas entre consultoria e acompanhamento:


O acompanhamento é a metodologia tradicional, e como o nome já diz: é um processo em que o profissional acompanha todas as faces da criação da decoração, desde a concepção até o término, com os últimos detalhes, passando pela contratação dos serviços, aquisição de material, escolha de modelo e padronagem,e execução dos serviços. Exemplo: o modelo do móvel, cor, escolha do marceneiro, contratação do mesmo, colocação do mobiliário e teste de qualidade do mesmo. Todas essas etapas são acompanhadas pelo profissional.


Já a consultoria traz uma metodologia diferente, através da qual o profissional constata os erros que estão no local, reorganiza a decoração e monta um manual onde descreve o que deve ser feito para alcançar o resultado desejado. Na consultoria, o profissional coloca um cronograma de serviços para não perder ou danificar serviços já executados, e orienta locais para aquisição e serviços, além de detalhar no descritivo: cor, padronagem e fotos com os modelos sugeridos, assim como o local onde o mesmo será colocado. Neste caso, o cliente é quem contrata os serviços ou faz as aquisições, baseados no manual, mas a seu tempo cronológico e financeiro, e também com pitadas do seu gosto pessoal.

Exemplo: no mobiliário, o designer descreve qual o tipo e modelo de móvel e acrescenta uma fotografia do mesmo no manual para não haver dúvidas, a cor que o mesmo deve ter, dimensões aproximadas etc. O cliente determina junto ao marceneiro: o tom da cor, a quantidade de repartições ou gavetas, os acabamentos, o preço e o prazo de entrega. O próprio cliente acompanha a montagem do mobiliário, e faz o teste de qualidade, acerta as formas de pagamento, sem qualquer interferência do profissional.




Abaixo alguns exemplos de diferenças entre consultoria e acompanhamento:


Pintura


Acompanhamento: o designer escolhe a cor, o pintor, o prazo para a pintura, a data de início e final; adquire o material tanto para executar a pintura como para proteger o espaço (papelão para piso, papel bolha para móveis etc.); verifica a necessidade de massa corrida ou não, e faz a adequação quantitativa de material; repassa três orçamentos para o cliente, que toma a decisão de qual contratar e qual a forma de pagamento; repassa o valor para o designer, que repassa para o profissional ao término do trabalho. Neste caso, como o designer acompanha o serviço, é responsável pela qualidade do serviço oferecido, dentro dos padrões de normalidade do mercado.


Consultoria: o designer indica quais as paredes que serão pintadas e dá o código de cor da tinta. O cliente contrata o pintor, solicita o quantitativo de material, verifica com o pintor a necessidade da massa corrida ou de lixar as paredes, adquire o material para execução e de proteção, combina com o pintor quem vai forrar o piso e o mobiliário, qual o preço, a data da execução e a forma de pagamento, e o próprio cliente acompanha a execução do serviço, sendo que a qualidade é de responsabilidade do pintor contratado.


Tapete


Acompanhamento: o designer vai ao local de aquisição, escolhe o tapete, tamanho, cor e padronagem, adquire o mesmo e o leva até o local da decoração. No momento certo, após quase tudo pronto, organiza o local e coloca o tapete (os valores no acompanhamento são detalhados em uma planilha que podem sofrer variação de 10% a mais ou a menos, antes do início da obra) e faz a prestação de contas com o cliente.


Consultoria: o designer descreve cor, tamanho, modelo e padronagem, coloca uma foto no manual e o local onde o tapete será colocado. O cliente, obedecendo o cronograma, no momento certo vai adquirir o tapete na cor solicitada, padronagem, modelo e tamanho, mas neste caso há mais interferência do cliente, pois o designer indica um tapete preto ou grafite (o cliente pode escolher o que mais lhe agrada). Já o tamanho deverá ser obedecido. Quanto à altura do fio e o tipo, também ficará a encargo do cliente. Pode ser alto ou baixo, sintético ou natural, enfim, aquele que mais agradar. Se tiver detalhes ou desenhos, o designer indicará o motivo e a cor, por exemplo: listras em bege com preto, geométrico em dois tons de bege, em arabesco em branco com preto, sendo que o desenho em si será escolha do cliente.




Deu para entender? Na página Serviços explico novamente esta modalidade de serviço. Em Curitiba/PR, onde desenvolvi este processo, tive mais de 300 consultorias/ano. Muitas das fotos dos meu Portfólio são de clientes de consultoria. É uma ótima alternativa para quem quer fazer sua própria decoração, sem cometer erros, ou quer arrumar algo que começou e não está satisfeito, ou ainda administrar seu tempo cronológico e financeiro. Mas vou adiantando: é trabalhoso, e também muito satisfatório, porque você participa diretamente do processo, da escolha e da aquisição, enfim, você realiza a própria decoração!



Márcia Rispoli entrou no ramo de decoração e design por acaso, ao sair vencedora de um concurso promovido pela Revista A&D, o que resultou em sua inscrição na Associação Brasileira de Designers de Interiores. Desde então, ela não parou mais! Neste espaço, ela compartilha de todo o conhecimento adquirido nestes mais de 20 anos de profissão.

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